Barcos de papel também afundam.
Nosso barquinho naufragou, perdeu os remos, a direção. Caí num mar escuro, afoguei-me em solidão. E você onde esteve? “Fora se salvar”, respondeu um peixinho que habita o fundo do mar. Deixara-me? Deixou-me. Por quê? Por desamor. Falta de carinho, excesso de orgulho… Tanto faz. Nem se importou em me ceder uma brecha em um dos poucos pedaços do barquinho que sobraram, preferiu me ignorar, permitir que o mar cuidasse de meu corpo e limpasse os vestígios daquele terrível fim. Ora, ingenuidade malandra essa, não é? Embaçou meus olhos e sussurrou mentiras em meu ouvido. Empurrou-me em um abismo, deixou-me sem asas, sem poder voar. Coitada de mim, ou, coitado do meu coração.

  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS
Read Comments

0 comentários:

Postar um comentário